Ewald Cordeiro tem 30 anos, é professor de matemática e física. Mora em Santos, dá aulas de matemática na Escola Objetivo, em Campinas, para onde vai todo domingo, fica dois dias e volta pra Baixada, de carro, geralmente com algum caroneiro para dividir as contas. Tem uma empresa de consultoria em tecnologia da informação e webmarketing, chamada Dlawe.com, em que produz sites, campanhas e criações digitais para os mais variados clientes. Se as informações até aqui trazidas sobre ele diferem de todos os outros participantes da Colaboradora, saiba de mais uma: Ewald é mágico.

O homem branco de estatura média, cabelo curto e vasta barba castanha escura sempre gostou do tipo de encantamento que a arte é capaz de proporcionar a quem nela mergulha. Seu primeiro contato mais profundo com as artes veio da adolescência, quando começou a fazer teatro na Igreja que frequentava. Durante cinco anos montou e apresentou diversas peças de médio e grande porte, sempre de temáticas religiosas. Depois, foi morar em Campinas, onde foi estudar na Unicamp. Passou oito vezes no processo seletivo da universidade: para os cursos de Matemática, Física, Engenharia de Computação e Ciência da computação. Não terminou nenhum, mas passou a trabalhar com educação em escolas da cidade. Foi dando aulas que acabou por adquirir o traquejo – aquele que costumamos chamar de “jogo de cintura” – para lidar com um público que, na maior parte das vezes, não gostaria de estar lá. Como atrair crianças e adolescentes do 6º ano até o Pré-Vestibular para uma área aparentemente tão sisuda e difícil como a Matemática e a Física? Ewald foi aprendendo estratégias para isso: lembrou de suas aulas de teatro e passou a imitar sotaques, vozes, trabalhar a entonação de voz, até mesmo fazer piadas em algumas horas para atrair a atenção de seu público.

Da experiência em sala de aula veio a redescoberta (ou o redespertar) da arte na sua vida. Um dia, no final da aula, um aluno seu de matemática lhe mostrou um pequeno truque de mágica, com um dos itens mais conhecidos na área: as bolas de espuma. Ewald observou com atenção, cuidou os braços do menino, acompanhou seus movimentos com as bolhinhas, viu como elas, de tão maleáveis, se transformam em muitas coisas. Ao final, gostou de se sentir encantado, por breves minutos, por um truque tão simples. A partir daí retomou seus estudos artísticos, dessa vez com a mágica; tinha 21 anos. Começou com pequenos truques, como os com as bolinhas de espuma, e ao longo dos anos foi se aprimorando com outras mágicas mais complexas, até dois anos atrás se tornar um mágico profissional.

Fonte: Facebook pessoal

Hoje, aos 30, Ewald tem tentando fazer da mágica sua profissão principal. Se apresenta em diversos lugares, especialmente entre Santos e Campinas, em espaços e projetos ligados à grupos circenses ou de teatro, além de bares, restaurantes e creches, casas de repousos e externatos – nestes três últimos, de forma voluntária. Também já foi a outros estados com seu trabalho: Santa Catarina, Paraná e Bahia já viram os truques de Mister Duds, o alter-ego mágico de Ewald, além de várias escolas da Baixada Santista, através do projeto Caravana nas Escolas.

Também os participantes da Colaboradora já o viram em ação, no processo de imersão inaugural do projeto. Ewald foi um dos primeiros a se apresentar no sarau realizado em Vicente de Carvalho, do outro lado do Estuário. Com sua cartola preta, mas de manga curta, Mr. Duds fez surgir e desaparecer cartas na frente de todos, além de moldar objetos diversos com as bolinhas de espuma.

Seu projeto na Colaboradora é, além da mágica, trabalhar com a arte circense, que também pratica faz alguns anos, junto do coletivo de artistas circenses da Baixada Santista (CIRCEL). Tem em Révi, outro integrante do projeto que lida com o circo, seu primeiro parceiro. Com ele já ensaiam ideias como fazer um Cabaré mensal no LabxS, um espetáculo de roda e apresentações ao redor do Lab, na Bacia do Mercado. Além de dar aulas e trabalhar em sua empresa de TI, Ewald tem treinado duas vezes por semana malabares, equilíbrio e acrobacias com seu coletivo, faz aulas de teatro sexta à noite num projeto da Prefeitura de Santos e participa das atividades de outro grupo, o TraMar, que desenvolve pesquisa em linguagens integradas e intervenção desde 2016. E ainda faz Engenharia de Computação na Univesp (Universidade Virtual do Estado de São Paulo).

Ewald vê a Colaboradora como um “incubadora de artistas”, onde todos vão aperfeiçoar suas artes individuais e ajudar o outro a se tornar melhor. “Tô muito feliz e empolgado de estar no LabxS. O fato de ter que apresentar um (ou vários) projetos gera um comprometimento que já está fazendo nós evoluirmos, eu já colhi diversos frutos desses primeiros dias no espaço. Espero que meus projetos aqui também gerem valor também e que possam continuar depois”.

 

PROJETO

Seu projeto tem 4 frentes principais:

1. Criação de um curta-metragem focando na reação das pessoas. A linguagem artística principal será o encantamento causado pela mágica, mas adoraria dialogar com outras linguagens circenses e outros artistas convidados. A principal difusora desse material será a internet, através da produção de mini clips durante a produção. Deste curta pode sair um projeto para inscrever em editais ou até um canal na Internet. De que forma o encantamento dialoga com a ocupação do espaço.

2. Criação de um cabaré mensal a ser realizado dentro do Instituto Procomum. Um espaço para os artistas testarem seus números e também de interagir com artistas convidados e a comunidade. Se a ideia funcionar, podemos evoluir para um sarau que dure o dia inteiro e finalize com o cabaré. Nos cabarés será passado o chapéu, onde o valor arrecadado será utilizado para a compra de materiais para os próximos cabarés (que se tornarão patrimônio do Cabaré) e para viabilizar alimentação e conforto para os artistas que apresentarão. A ideia é que o cabaré se torne auto-sustentável e autogestionado até o final do ano e que ele possa continuar no ano de 2019 também.

3. Criação de um espetáculo de roda com o Révi, pensando desde a produção, figurino, formas de tornar o espetáculo sustentável. Chamar o Umberto pra dirigir a gente, pois gostaria de ter mais conhecimento de como receber de volta o valor gerado nas apresentações de rua. Apresentar na rua como forma de democratização do acesso à cultura.

4. Criar um espetáculo solo para ser apresentado no palco, salão e na rua. Buscar mentorias do Ricardo Malerbi e do Umberto para criação e direção. Buscar parceiros de produção, registro audiovisual, som e luz. Escolher as artes que serão integradas: mágica, malabares, equilíbrio, perna de pau, palhaçaria.”