O segundo encontro Mulheres (no pural) e o Comum aconteceu no dia 24/6 na Casa Fórum, em Santos. A atividade é parte dos ciclos de formação promovido pelo Instituto Procomum.
Abaixo, publicamos um relato da  facilitadora da roda, Lia Rangel.

”Estava esperando uma horinha mais tranquila para fazer um relato sobre a manhã mágica que vivenciamos neste último sábado na Casa Fórum, mas nunca chega.A horinha calma.
Segunda oficina do ciclo “mulheres e o comum”. Mais de 30 mulheres vieram, entre 17 e 70 anos. Ahhh, quantas histórias para contar e não deu tempo. Experimentamos o toque sutil que abre caminho para a confiança, ouvimos a história da mulher tecelã, que tece e depois destece seus sonhos e pudemos viajar de forma profunda pelas reveladoras constatações de Silvia Federici e Sueli Carneiro.

Bianca Santana nos hipnotiza com seu jeito de contar de forma simples conceitos e pensamentos complexos. Sim, a inquisição como pressuposto para o desenvolvimento do capitalismo.Quem disse as vidas sempre se organizaram em núcleos unifamiliares? Cada uma na sua casa, sólita reproduzindo trabalhadores…e de repente, todas acumulando função…trabalhando produzindo trabalhadores e também a serviço da força produtiva… e a vida? Ah, essa ficou para segundo plano.
Trabalhar se tornou a vida.
E nos naturalizamos essa situação. E se um dia fomos escravas? E se um dia nossa avó, bisava foi escrava? E se nesse dia de hoje a principal ocupação das mulheres negras segue sendo o trabalho doméstico? Ah, você como eu pode se dar o luxo de não lavar dia própria roupa e muito menos sua privada. Mas apesar de todo esse meu discurso, não vejo saída para para poder estar aqui escrevendo e ter a casa limpa. A cama feita. A mesa posta. E agora?? Seguimos. Desatando nos, os possíveis. E sonhando, e criando juntas soluções para aqueles que agora parecem impossíveis.
Será isso o começo de um laboratório? Não sei. O que sei é que até o final do ano, todo o primeiro sábado do mês, estaremos juntas, partilhando vida e inventando caminhos.

(Ih, virou um relato…na ponta dos polegares, sem acentos, cedilhas e crases. E o tempo da modernidade, puts, sou pós-humana, meu pensamento se revela nos meus polegares opositores).

Compartilho fotos lindas e em agosto estaremos juntas!

E por ultimo, sim, amamos os homens! E vocês só não participaram, ainda…dessa roda linda porque nossa panela segue cozinhando!”

Lia Rangel – Facilitadora da roda Mulheres e o Comum

“Não há comum sem comunidade”
Silvia Federic

“Pela construção de uma sociedade multirracial e pluricultural, onde a diferença seja vivida como equivalência e não mais como inferioridade¨
Sueli Carneiro

 Veja aqui a bibliografia do encontro!