Mulheres (no plural) e o comum

Ao longo do tempo passamos por processos que separaram o homem da vida. Por privilégios e interesses, o homem ganhou poder, mas esse poder veio por meio de separações. Separação da natureza, dele mesmo, da família e da comunidade. As mulheres foram deixadas para cuidar do sustento, da vida, das crianças, para buscar a água, combustível, cozinhar a comida. As mulheres continuaram ligadas à vida.
Vandana Shiva.

A reprodução vem antes da produção. Se toca a base, toca às mulheres”,
Peter Linebaugh

Não há comum sem comunidade
Silvia Federic

ESCUTA, REPERTÓRIO e CUIDADO

UMA RODA DE CONVERSA ABERTA E GRATUITA

O QUÊ?
Um círculo formativo para mulheres. Um primeiro encontro. Para nos escutar. Partilhar inquietações e desejos. Sobre ser mulher. Sobre onde e para quem investimos nosso precioso tempo de vida. Sobre o domínio de nosso corpos e dos conhecimentos que não estão nos livros. Sobre o reconhecimento de talentos que não sabíamos valiosos. Sobre a possibilidade de construir soluções coletivas para o enfrentamento dos desafios diários que individualmente cada uma de nós vivencia.

PARA QUEM?
TodAs as mulheres. Negras, indígenas, brancas, amarelas trans, cis, lésbicas, bi, homo, jovens, adultas, idosas, caiçaras, urbanas, rurais, gordas, magras e como mais puderem se autodeclarar estão convidadas. Mães, somos bem-vindas para estarmos inteiras! Partilharemos os cuidados de nossas filhas e filhos para que cada uma possa estar presente.

POR QUE?
Reconhecer e impulsionar o protagonismo das mulheres da Baixada Santista, em sua sabedoria para o desenvolvimento de soluções de inovação cidadã.
Compartilhar conhecimento e qualificar o debate sobre gênero, feminismo e o comum.
Promover o cuidado de si e de outros para identificar e potencializar modos de vida comunitários que privilegiem relações de cooperação e responsabilidade.
Conectar as mulheres que integram a nascente rede do LabxS e do Instituto Procomum.
Criar projetos em conjunto.

COMO?
Vivências que integram a metodologia de círculos de mulheres, rodas de discussão e oficinas de co-criação para proporcionar:
Um passeio por conceitos fundamentais para a compreensão das questões de gênero, o conceito de comum e comunidade a partir de uma perspectiva feminina e feminista.
Buscar convergências e sentidos partilhados de existência, resistência e ação.
Estimular a partilha de nossas histórias.
Inventar caminhos.

QUANDO?
Roda de escuta: 27 de maio, sábado, das 10h às 13h, Casa Fórum
Rua Primeiro de Maio, 57 – Aparecida

SOBRE AS MEDIADORAS:
Bianca Santana
Escritora, jornalista e taróloga. Mestre em educação e doutoranda em Ciência da Informação pela Universidade de São Paulo. É autora de Quando Me Descobri Negra (Sesi-SP Editora, 2016), realiza o curso anual para mulheres “A escrita como caminho”. Mãe de Lucas, 8, Pedro, 6 e Cecilia, 4. É conselheira do Instituto Procomum.

Lia Rangel
Jornalista e contadora de histórias. Feminista e aprendiz de feiticeira. Conduz grupo de leituras e oficinas de literatura para mulheres. Mãe da Júlia, de 13, e do Chico, de 10.  Desenvolve estudos sobre feminino, feminismo, sexualidade e consultorias sobre gênero e comunicação. Sócia-fundadora do Instituto Procomum.

Urgência

Cada uma em sua casa.
Cada uma em sua casa cuidando
Da comida. Da lista de compras. Do ir e vir. Da pia suja. Da cama desarrumada.
Passar roupa nem pensar, sem convenções desnecessárias
Cabelos desgrenhados a meses. Prende um coque, ajeita um cacho
Batom, rimel, melhor que a cara lavada
A unha por fazer vai ter de esperar
Seca a lágrima da criança que não quer ir para escola. Hoje não tem opção,
Santa rotina
Que nos liberta nos aprisionando
Engole o choro acumulado. Deixa para mais tarde
Repetindo o que cada uma faz. Em casa. Sozinhas.
Lá fora, a pressa
Há pressa.
Apressa o passo, passa pela catraca, responde mensagens
Instantâneas
Divaga, dilui-se, esquece por segundos da lista que nunca acaba
Olha para o lado e vê outra.
De cabelo preso, camisa amassada, respondendo mensagens
Instantâneas

Lia Rangel

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