O quarto encontro do círculo  Mulheres (no plural) e o Comum, tratou do conhecimento: O que é conhecimento? O que precisamos saber para viver? Que conhecimentos são valorizados? O que aprendemos na escola, na faculdade é mais importante que mexer na terra, costurar, cozinhar, limpar? Que saberes guardamos, conosco, de geração em geração, muitas vezes sem perceber?

Para documentar o encontro e os saberes compartilhados, publicamos o texto produzido de maneira coletiva, bibliografia e fotos. Confira:

PENSAR FUTUROS (se eu fosse eu e você fosse você?)

Estamos presas
Nos remetemos ao que está dado
Estamos formatadas
Está puxado
E se a gente fosse a gente seriamos a gente com acertos e erros.

Queríamos ser mais livres

Quando você mora sozinha, escolhe
Entre a solidão e a liberdade
Eu cuidei
Eu vivi para cada um
E agora vivo para mim

Ser mais livres

Eu quero curar minha ancestralidade.
Minha filha, com as estrelas, ela cura a bisa,
A avó.
Minha filha não tem filha
E disse que não teria
Mas agora, por que não?
Talvez eu precise continuar.

Mais livres

Gratidão por cada um
Era tanto amor
Eu sendo eu
Eu busco limpar
meus antepassados.

Viveria no agora

Livre

Liberdade para brincar
Liberdade para ter tempo
Eu escutaria mais
Menos peso, menos cobrança
Quero minha bicicletinha
viajar mais
viajar menos
fazer escolhas
não ser só escolhida.

Gostaria de ter tido coragem
Para acreditar no meu dom
Aprendi a nadar aos 52
Ainda é tempo
Sempre é tempo.
O tempo só veio agora que sou velha

E livre.
Vivo, NU, agora
No agora

Se eu fosse eu, eu me expressaria o tempo inteiro.
Estou prestes a ser o que sou, mas me falta coragem:
FODA-SE, TRABALHO!
O que vem depois?

Os sujeitos, nós e os homens,
Nós, as mulheres
Nós e a natureza,
Nos nós, nos encontramos em colaboração.
Livres, mais livres.

(escrita coletiva de todas as mulheres que participaram da roda Mulheres e o Comum)


Para refletir sobre essas questões trouxemos como referências :

“A Tenda Vermelha”, Anita Diamant

“Becos da Memória”, Conceição Evaristo

“E se eu fosse eu”, texto de Clarice Lispector declamado pela Aracy Balabanian
https://www.youtube.com/watch?v=re4-BJ7JccI
Se eu fosse eu, da Clarice Lispector, está no livro A descoberta do mundo.

“Não deixa o samba morrer”,  Alcione https://www.youtube.com/watch?v=ddKD5OMWlhY

“Pedagogia do Oprimido”, Paulo Freire

“O Samba Segundo as Ialodês: mulheres negras e cultura midiática”, tese de doutorado da Jurema Werneck. Disponível em: http://www.pos.eco.ufrj.br/site/teses_dissertacoes_interna.php?tease=10

“Minha história das mulheres”, de Michelle Perrot

Veja também as fotos de Nicole Bassile: