Alzira Lúcio, criadora do Projeto Luzes da Vila e do Vestir ECO

Alzira Lúcio, criadora do Projeto Luzes da Vila e do Vestir ECO

Alzira Lúcio é filha de costureira. Sempre trabalhou com resíduos descartados, antes mesmo de conhecer a palavra sustentabilidade e de esse tipo de moda ganhar notoriedade.

Ela buscava retalhos com tapeceiros e moveleiros (artesãos que faziam sofás e almofadas) e com esse material confeccionava bolsas. Depois começou a usar retalhos de lycra para confeccionar peças.

“Desde sempre reutilizei material, mas não tinha consciência que era algo ecologicamente correto. Na verdade, eu fazia porque dava dinheiro”, comenta.

Assim, ela acumulou 20 anos de experiência em artesanato, mas decidiu voltar a estudar. “A consciência surgiu durante a faculdade de moda. Percebi que estava salvando uma série de recursos”, diz Alzira Lúcio.

Moda para a comunidade do Morro São Bento

Alzira foi criada no Morro São Bento, em Santos. Depois do falecimento do seu pai, por apego e dificuldade de vender a casa, decidiu fazer da propriedade da família um espaço destinado às crianças. Fundou o Projeto Luzes da Vila.

“Hoje, o projeto toma todo o meu tempo. Mas fiz o que tinha que fazer”, comenta Alzira.

Para o Circuito LABxS (Lab Santista), ela inscreveu o projeto Vestir ECO, um círculo de formação em moda e sustentabilidade com o objetivo de atender as jovens da comunidade em que vive.

No total, o Vestir ECO realizou 12 encontros entre oficinas e rodas de conversa. Foram promovidas oficinas sobre reutilização de jeans, criação de brincos com caixas Tetra Pak, turbantes e estamparia artesanal. Já as rodas de conversa abordaram as práticas sustentáveis, práticas ambientais na indústria têxtil, economia criativa na moda e descarte inadequado e desperdício.

Para celebrar as atividades, foi organizado um desfile de encerramento no qual as meninas da comunidade vestiram as roupas produzidas por elas mesmas durante as oficinas.

Nem a fina garoa que caia sobre a laje da sede do Luzes da Vila inibiu as modelos: tapete vermelho estendido, muitos flashs e câmeras, elas brilharam. Ao fim, dançaram e cantaram “Ela não anda, ela desfila, tira foto no espelho para postar no Facebook”.

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“Era somente uma ideia até então. Foi maravilhoso, foi um sonho poder realizar nesse formato. Agora eu quero dar continuidade e montar uma turma para o próximo curso”, avalia Alzira.

Para a criadora do projeto mais do que um projeto de moda, foi também um processo de autoestima.

“Foi legal ver a transformação, o antes e depois do projeto. A alegria nas fotos e desfile. Elas se olhavam e ficavam surpresas com o resultado: ‘Como estou diferente!’”.