Por Coletivo Marsha


O Marsha é um coletivo LGBT que também se propõe a discutir questões de classe, raça e gênero e como elas se interseccionam com a questão LGBT; a questão LGBT como categoria consegue nos representar como um todo? Um LGBT branco de Santos é o mesmo que um negro de Vicente de Carvalho? A opressão é a mesma? As coisas pelo que passam, as demandas, os espaços que frequentam, as narrativas são as mesmas? O que nos uni e o que nos diverge nesses marcadores? Esses e outros questionamentos são
levantados em nossos trabalhos.

O Coletivo é novo, tem quase um ano e atualmente faz atividades mensais no instituto Procomum como GT LGBT. Tem sido meses de trabalho, dedicação e foco, tempo de revisitar antigos saberes e se aprofundar em teóricos que temos como base de nosso trabalho, tempo de trocas com outros grupos e pessoas, como a coletiva Luana Barbosa, que possui uma abordagem semelhante e participou de uma de nossas atividades, tempo de fortalecer laços com alguns amigos e acima de tudo, tempo de autodescobrimento.

“É reconfortante continuar atividades de militância em minha cidade de origem, pois enxergo a possibilidade de formar atividades para que mulheres LBTs se sintam pertencentes e acolhidas de alguma forma,
já que esta foi uma dificuldade que tive na minha adolescência”, afirma Sal
Esaú, DJ, produtora cultural e uma das integrantes do coletivo.

“É gratificante poder levar a frente esse trabalho nesse espaço, somos gratos por isso, pelo apoio e tudo mais, tem sido uma experiência muito positiva”, posiciona Fabrício Dias, artista visual, estudante de comunicação e um dos membros do coletivo.

“Há quem diga que abraçamos coisas demais, bem eu não acho, se levarmos em conta que pensadoras como Angela Davis e Audre Lorde já levantavam essas questões de forma integrada há 30, 40 anos atrás, vemos que não se trata de algo novo e que de alguma forma, são questões
complementares. A branquitude muitas das vezes, nos vê com um olhar puramente acadêmico e como algo a ser tutelado, é importante que pessoas como nós, com os marcadores citados, fale por nós mesmos sem interlocut viemos, com nosso jeito, cultura, que saia da posição passiva de público-consumidor, ouvinte, e seja também atuante”, finaliza Fabrício.

Junto com Sal e Fabrício, o coletivo atualmente conta com 4 integrantes, Jeferson Nascimento; professor de letras da rede pública e o mais recente, Gustavo Pereira; estudante de jornalismo e com histórico de atuação em outros coletivos da baixada santista.

Alguns integrantes já se conheciam, outros apenas de vista, as atividades do coletivo têm proporcionado esse encontro, essa troca, tem sido produtivo e essa mistura de pessoas com históricos tão diversos proporciona um equilíbrio adequado: A energia e força exigida na defesa de um posicionamento político e o ponderamento e aprofundamento teórico tão necessário.

Para o próximo ano o coletivo promete atividades diversas como oficinas de
capacitação, seminários, atividades voltadas a cuidado, como também eventos voltados para arte e cultura.