NEMECIO BERRIO GUERRERO, Cartagena das Índias, Colômbia

Período da residência: 26/09 a 21/10

Nemecio é artista do movimento, educador, gestor cultural e diretor da companhia de danças afrocolombianas, Permanencias. Seu trabalho como artista tem sido caracterizado pela busca constante de suas raízes afro-colombianas, por sua dignidade, visibilidade e posicionamento no contexto contemporâneo, trabalho que o levou a aprofundar e refinar todos os aspectos ancestrais da cultura e da dança do dos litorais caribenhos e a recriação de sua própria linguagem criativa e formativa. Ele investiga uma metodologia de treinamento corporal para a dança afro-colombiana contemporânea chamada SWAHILI, cujo objeto de estudo é a cultura e o corpo caribenho, enfatizando sua investigação no gestual da mulher negra.

Me interessa o tema da colaboração e da produção de conhecimento por meio de processos artísticos comunitários, gerando redes  desde uma visão do sul, transformando a realidade e afetando a proatividade dos indivíduos. Estamos em tempos onde há necessidade de tomar posições críticas de ação para a construção de novas noções de sociedade. Este laboratório permite e aposta na inovação social; visto de uma perspectiva subversiva e responsável. A arte como ferramenta de ação participativa que cria cidadãos de paz. Isso me motiva a querer fazer parte deste espaço e construir em conjunto.

As linhas que chamam minha atenção como motor motivacional para este laboratório são: Ancestralidade, memória e cultura popular; Arte comunitária; Práticas descoloniais e anti-racistas. Todos estes temas cruzam-se transversalmente por uma reflexão do corporal“.

Participe da chamada de artistas

Participe da chamada de colaboradores

Participe da chamada para organizações sociais que trabalham com mulheres em vulnerabilidade

Durante sua residência no LABxS, Nemecio vai desenvolver dois processos transversais:

  1. Um processo artístico de incidência social chamado Desvelando Humanidade, a ser desenvolvido com mulheres em situação de vulnerabilidade social de Santos, com a colaboração de artistas e outros profissionais locais;
  2. Um processo de co-criação de dança contemporânea negra chamado Escamas da Memória a ser desenvolvido com artistas da região;

Em ambos os processos, a proposta é experienciar a investigação artística pedagógica desenvolvida por Nemecio e sua companhia sob o nome de Swahili: um processo de incidência social do movimento a partir de um treinamento do corpo para a dança com uma metodologia emergente, urbana, poética e de impacto social.

Qual a proposta?

A imersão com o artista Nemecio vai compartilhar conhecimentos e estimular a reflexão e a prática de uma formação pedagógica artística/corporal, sensível, humana e criativa, com vistas a dignidade  da condição humana por meio do reconhecimento do próprio corpo e do corpo da outra. A metodologia proposta pelo artista busca contribuir para o melhoramento da qualidade de vida de quem participa do processo, neste caso mulheres, majoritariamente negras, em situação de vulnerabilidade social da região de Santos. Os temas a serem abordados serão os seguintes:

  • Sensibilização corporal, identificando o vocabulário corporal das participantes, suas histórias e recordações, oferecendo a possibilidade corporal de transfigurar, por meio de gestos, movimento e a palavra, suas práticas de relação;
  • Parir uma nova espacialidade: propondo a criação de um novo espaço dentro do cotidiano das participantes em situação de vulnerabilidade e risco. Um novo lugar para a interação social.
  • A manifestação artística e sua relação com o movimento: possibilidade de comunicar e refletir desde o movimento, o desenho, o canto, o audiovisual. A ideia de expressar por meio de representações metafóricas ajuda a expressar o que nem sempre se pode verbalizar em um discurso mais racional.
  • Corpo –  movimento: Swahili: uma  propuesta estética, artística e criativa desde uma configuração corporal contra-hegemônica para dignificar, ressignificar e visibilizar o acervo cultural popular. Serão realizados exercícios de criação coletiva e será proposta a construção de uma obra de performance posta em cena e/ou uma coreografia temática, segundo o interesse das participantes.
  • Resistência desde a criação: a proposta aqui é colocar o corpo como cenário, território criativo, como lugar de paz. Identificar o vocabulário corporal dos participantes, explorando suas memórias, sobre si e o entorno de onde se mobiliza, para oferecer a possibilidade corporal de transfigurar, por meio dos gestos, o movimento e a palavra, suas práticas de relações presentes e sua projeção a um futuro próximo. Partir do conhecimento do entorno para referências a resistência subjetiva que determina os modos de interação de indivíduos membros de grupos sociais, que habitam um espaço comum, seja este o a prisão, o bairro, as ruas, a escola, etc.

Saiba mais sobre o trabalho do artista Nemecio Berrio Guerrero:

Projeto Desvelando Humanidade na prisão feminina de San Diego, em Cartagena das Índias:

Projeto escola para a reconstrução da memória histórica, em Andagoya Choco:

Cultura nos albergues: meu tempo é seu tempo.